Sanção dos EUA prejudicou operação para prender suspeito de ligação com o PCC, diz PF

sábado, 04/07/2026 – 18h20

A Polícia Federal antecipou a operação desta sexta-feira (3) contra suspeitos de ligação com tráfico internacional após as sanções do governo dos Estados Unidos anunciadas na última quarta-feira (1º).
 

A decisão que autorizou a operação já estava nas mãos da PF desde 2 de junho, mas a corporação ainda apurava determinados endereços dos alvos. Ainda de acordo com a corporação, a ação para prender um empresário suspeito de ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital) acabou sendo prejudicada pela decisão americana.
 

A antecipação foi confirmada pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e pelo chefe da Dicor (Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção), Dennis Cali, em café da manhã com jornalistas, em encontro realizado após da operação. Rodrigues reclamou da decisão dos EUA de designar o PCC e o Comando Vermelho de organizações terroristas.
 

Segundo a cúpula da PF, algumas confirmações a respeito da localização de investigados ainda estavam em curso quando os EUA anunciaram as sanções e, por isso, a ação teve que ser antecipada.
 

Andrei criticou, no evento, a classificação pelo governo americano das facções criminosas como grupo terrorista, e disse que o entendimento é um “erro grosseiro tecnicamente”.
 

“Não posso entrar em detalhes operacionais, em razão do sigilo da investigação, mas, de fato, se não houvesse essa designação, talvez o desfecho fosse outro e a gente teria localizado essa pessoa, mas, infelizmente, não foi localizado, então houve um prejuízo à investigação”, afirmou Andrei, em café da manhã com jornalistas.
 

Também disse que não deve existir uma “glamourização das facções criminosas”, com atribuição de todas as ações a determinada facção. Na visão dele, essa é uma supervalorização das ações desses grupos.
 

Nesta sexta, a PF prendeu a secretária Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, que trabalhava para o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, ambos alvos de sanções do governo americano.
 

A prisão se deu no âmbito de uma operação deflagrada contra suspeitos de integrar uma organização criminosa especializada na lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas. Shimada também é alvo da operação, mas até aqui é considerado foragido.
 

O advogado que defende o empresário disse que deverá se pronunciar mais tarde. A reportagem tenta localizar a defesa de Stella.
 

Batizada de Operação Exchange, as diligências incluem o cumprimento de 11 mandados de prisão temporária e 13 de busca e apreensão. Todos foram expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal de São Paulo e miram endereços na capital paulista, em Santos, Praia Grande e em Santana de Parnaíba.
 

A decisão que decretou as prisões e autorizou as buscas decretaram também o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados até o valor de R$ 10,4 bilhões.
 

Segundo a PF, os suspeitos mantinham um sistema estruturado para a movimentação de recursos e operavam por meio de transferências ilícitas de criptoativos e outros meios, como a movimentação de recursos em espécie.
 

Ainda de acordo com a corporação, a investigação aponta para operações bancárias de alto valor, repasses entre pessoas físicas e jurídicas e outras atividades financeiras.
 

A representação policial que pedia a prisão dos suspeitos foi enviada à Justiça em março, e a decisão foi dada em junho. A PF esperava executar a operação assim que confirmasse a localização de todos os suspeitos.

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