Mais de um ano após indiciamento da PF, servidores da Abin seguem em cargos estratégicos

Mais de um ano após serem indiciados pela Polícia Federal no inquérito da chamada “Abin paralela”, dezenas de servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) continuam ocupando cargos de chefia e mantendo acesso a informações sensíveis. As informações foram divulgadas pela Folha de S.Paulo.

Em junho de 2025, a PF concluiu o inquérito e indiciou mais de 30 pessoas. Entre os investigados estão o diretor-geral da Abin, Luiz Fernando Corrêa, o chefe de gabinete, Luiz Carlos Nóbrega, e o corregedor-geral, José Fernando Chuy, que permanecem em suas respectivas funções.

Segundo as investigações, a atual direção da agência, já durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), teria praticado atos que interferiram no andamento das apurações conduzidas pela Polícia Federal. Após a operação, o governo federal exonerou o então diretor-adjunto da Abin, Alessandro Moretti.

O caso ficou cerca de um ano sob análise do procurador-geral da República, Paulo Gonet. No mês passado, ele solicitou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o envio do processo para a primeira instância.

A investigação teve início após a descoberta de que servidores da Abin utilizaram o software First Mile para realizar o rastreamento irregular da localização de adversários políticos durante o governo Jair Bolsonaro (PL). A primeira operação da PF ocorreu há dois anos e oito meses, quando seis agentes foram afastados. Um deles se aposentou e outro pediu exoneração.

Passados 32 meses desde o início da ofensiva policial, ao menos três servidores afastados continuam recebendo salários, embora estejam sem exercer atividades. Procurada pela Folha, a Abin informou apenas que cumpre decisões judiciais e que não comenta processos em andamento.

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