Durigan diz que renegociação de dívida pode prejudicar agro e fala em ir ao STF contra pauta

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira (12) que o próprio agronegócio pode ser prejudicado com o projeto de renegociação das dívidas rurais, aprovado nesta semana pelo Senado Federal, e voltou a afirmar que o governo pode ir ao STF (Supremo Tribunal Federal) contra as pautas-bomba aprovadas pelo Congresso Nacional.
 

Em entrevista ao Datena, o ministro alegou que as condições favoráveis previstas no texto podem fazer com que os bancos restrinjam a oferta de crédito. “A minha preocupação é com o agronegócio. A medida diz que os bancos precisam oferecer crédito com juros tabelados ao agronegócio, mas os bancos não são obrigados a oferecer crédito. Podem optar por não dar crédito com os limites estabelecidos”, respondeu o ministro.
 

O governo avalia que o texto aprovado oferece condições favoráveis a grandes produtores que não precisam renegociar suas dívidas. Enquanto a proposta da Fazenda previa taxas de 6% para beneficiários do Pronaf (agricultura familiar), de 8% para os mini, pequenos e médios enquadrados no Pronamp (Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural) e de 12% para os demais, o relatório aprovado pelo Senado na última quarta-feira (10) estabeleceu os juros em 3,5%, 5,5% e 7,5%, respectivamente.
 

O prazo de pagamento previsto pela proposta é de dez anos, com carência de três anos. Fontes do setor ouvidas pela reportagem avaliam que o risco para a oferta de crédito existe também pelo fator da insegurança jurídica, já que a intervenção do Congresso no tema pode fazer com que as instituições financeiras desconfiem que, no futuro, novas condições favoráveis sejam aprovadas.
 

“A medida deve atingir o agricultor endividado que tenha passado por problemas climáticos, alguma coisa grave. O agricultor comprovado, não tenho problema para renegociar a dívida dele, dar carência para pagar a dívida antiga”, falou o ministro.
 

A medida, falou o ministro, pode criar um precedente para que outros setores da economia também busquem condições favoráveis para a renegociação das dívidas. Durigan também disse que o texto aprovado pode ter impactos estruturais na economia, principalmente na taxa Selic, estabelecida pelo Banco Central.
 

Ontem, os ministérios da Fazenda e do Planejamento divulgaram nota conjunta informando que nove projetos em tramitação no Congresso Nacional têm impacto anual estimado em R$ 111 bilhões para as contas públicas.
 

Segundo Durigan, ainda há espaço para dialogar com os presidentes da Câmara e do Senado antes de acionar o Poder Judiciário. “Mas caso seja necessário, o governo irá, sim, ao Supremo Tribunal Federal, na linha de decisões anteriores que exigiram que as regras fiscais sejam obedecidas pelo governo e pelo Congresso Nacional”, respondeu o ministro.
 

“O compromisso nesse momento é que a gente não deixe o espírito eleitoral, as demandas que aparecem nos diferentes setores, tomarem conta da agenda econômica nacional de forma a prejudicar o país”, disse o ministro em entrevista ao Datena, na Rádio Nacional.
 

Na estimativa, o governo informou que o projeto de renegociação das dívidas rurais tem um custo de R$ 140 bilhões em 13 anos. De acordo com Durigan, o Orçamento Brasileiro não suporta esse impacto.
 

Ele também disse confiar que o fim da escala 6 x 1 no Senado, apesar das tensões entre o presidente Davi Alcolumbre (União-AP) e o governo Lula.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Design sem nome (55) (1)

Notícias relevantes

Prefeitura de Salvador pede concessão de até R$80 mi em subsídio ao transporte m...
Desenrola para adimplentes ainda será discutido com governo, diz presidente do I...
Acidente com trem de pouso de avião deixa funcionários feridos em aeroporto na A...
Carregando mais...