7 em cada 10 brasileiros sentem o peso do aumento do custo de vida no orçamento

O orçamento das famílias brasileiras enfrenta um momento de forte pressão. De acordo com um levantamento recente da Serasa, sete em cada dez brasileiros notaram aumento nos custos cotidianos nos últimos 12 meses. O cenário de juros altos e inflação impacta diretamente a qualidade de vida, deixando menos de 20% da população com condições de pagar as contas sem dificuldades.

A pesquisa aponta que gastos inadiáveis, como supermercado, contas recorrentes (água, luz, telefone) e moradia, já representam 57% do orçamento médio mensal, que gira em torno de R$ 3.520. As regiões Sul e Sudeste lideram o ranking de maiores custos no país.

Segundo o IBGE, o rendimento médio do trabalhador brasileiro atingiu R$ 3.722 no primeiro trimestre.

Diante do “aperto” nas contas, é comum que muitas famílias busquem crédito ou empréstimos para fechar o mês. O consultor financeiro Raphael Carneiro alerta, contudo, para os riscos dessa prática. “É preciso ter muito cuidado. O crédito pode resolver o agora, mas é preciso lembrar que ele gera uma parcela que precisará ser paga. Se o mês já não fecha hoje, com o acréscimo de uma dívida, a situação pode virar uma bola de neve”, explica.

Segundo o especialista, o uso de consignados ou rotativos para pagar contas básicas deve ser o último recurso, e não uma solução contínua de gestão.

Para o consultor, o equilíbrio financeiro depende da manutenção de uma margem de segurança entre receitas e despesas. “O ideal é que as despesas fiquem sempre abaixo das receitas, mantendo uma margem de folga entre 10% e 20%. A partir do momento que essa margem cai ou deixa de existir, é um indicativo claro de que a situação saiu do controle”, orienta o profissional. Ele ressalta que o ideal é realizar cortes preventivos assim que essa diferença diminui, antes que o endividamento se torne um problema instalado.

Carneiro pondera, entretanto, que a gestão financeira não é uma solução universal, dada a realidade socioeconômica do Brasil. “Vivemos em um país desigual. Não podemos esquecer que, para uma grande parcela da população, a renda é tão baixa que não basta apenas cortar gastos; o valor recebido mal cobre o básico para a sobrevivência”, destaca.

Para quem possui um cenário mais flexível, o consultor reforça a importância da organização: “Para quem tem uma condição um pouco mais folgada, o foco deve ser a reorganização dos custos para criar essa margem. É isso que permitirá formar uma reserva financeira capaz de suportar altas de preços repentinas sem comprometer a saúde do orçamento a longo prazo”, conclui.

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