Opinião: Janela partidária termina sem grandes surpresas na Bahia

Mesmo com uma intensa troca de cadeiras – especialmente na Assembleia Legislativa da Bahia -, a janela partidária chegou ao fim sem surpresas. Todos os políticos que tinham sinalizado a hipótese de troca de legenda ao longo dos últimos quatro anos sacramentaram mudanças. As raras exceções foram os potenciais egressos do Progressistas, Hassan Youssef e Cláudio Cajado, que acabaram permanecendo após reconfigurações internas. Ao fim e ao cabo, a sobrevivência política se mostrou mais relevante do que identidade partidária.

A oposição fez ajustes aqui e acolá para contemplar aliados que poderiam não garantir a reeleição. Na ponta do lápis, nomes como Paulo Câmara (ex-PSDB) e Samuel Jr. (ex-Republicanos) engrossaram a turba do PL e os quase órfãos do bolsonarismo. Câmara há tempos reclamava da lista tucana e preferiu não pagar pra ver. Já Samuel viu o Republicanos “inchar” com a família e aliados de Angelo Coronel e saiu antes de arriscar a reeleição – e olha que a igreja por si só já garante bons votos.

Ainda teve a definição de espaço para Emerson Penalva, que precisava de uma legenda de oposição após ver o PDT voltar para os braços do governo. Ficou no União Brasil, que também não passou incólume, porém assistiu a dança das cadeiras acontecer com o PP, permanecendo todos dentro da federação. Marcelinho Veiga é um dos casos.

Já o governo viu um rearranjo que fortaleceu especialmente um já forte PSD. Houve promessas de eleição “garantida”, quando na verdade era a suplência que importava. No entanto, nada vai superar o PV voltando a ser barriga de aluguel, tal qual aconteceu em Salvador em 2016 e na Bahia em 2022. A cereja do bolo, sem dúvidas, foi a filiação de um legítimo representante do agronegócio ao partido mais ambientalista do mundo. Eduardo Salles no PV é tão autêntico como o argumento que Flávio Bolsonaro é uma versão “mais leve” do pai. A lógica de manter cadeiras é válida e justificada.

Já o PT, como sempre, teve briga interna e recuo de candidaturas como Lucinha da MST e Fabya Reis. No entanto, vai para a disputa com o mesmo número de deputados e com chance de ampliar a bancada, a depender do desempenho da campanha majoritária.

O PSB, que chegou a ser uma menina dos olhos, por pouco não sai muito menor do que estava. O ganho adicionou foi, sem dúvidas, a chegada de Mário Negromonte Jr., cujos votos podem auxiliar a sigla a atingir a tão sonhada terceira cadeira em Brasília (ainda que haja o risco de somente ele ter o mandato garantido). A definição dele, inclusive, deve provocar, nos próximos dias, a nomeação de Camila Vasquez como conselheira do Tribunal de Contas dos Municípios. Para enganar bobos, o governador Jerônimo Rodrigues chegou a dizer que a nomeação da esposa de Negromonte Jr. independia da migração dele para a base aliada, agora é esperar a confirmação já esperada.

Agora, com as listas definitivas, os partidos conseguem ter um melhor horizonte sobre como lidar com as urnas em outubro. O engraçado é que, para dar conta das expectativas das legendas, o número de cadeiras na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa deveria ser bem maior. Felizmente, para isso, há limite.

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