Flávio Bolsonaro diz cumprir papel de Lula nos EUA e que adiou retorno por reuniões sobre tarifaço

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) embarcou na noite desta quarta-feira (8) dos Estados Unidos para o Brasil depois de adiar seu retorno em um dia.
 

À Folha ele disse que a mudança se deu devido a reuniões na capital americana sobre os planos do governo de Donald Trump de impor novas tarifas ao país. “Fui conversar com algumas pessoas para tentar influenciar o governo a não tarifar o Brasil”, disse à reportagem o pré-candidato no saguão de uma companhia aérea no aeroporto internacional de Washington.
 

Flávio tem sofrido desgastes com o tema das tarifas diante de ofensiva de Lula voltada à bandeira da soberania. O senador tem procurado se posicionar publicamente contra eventual taxação.
 

“Estou fazendo a minha parte, né? O que era para o Lula estar fazendo, eu fiz”, disse o senador.
 

Durante toda a viagem, o presidenciável evitou o contato com a imprensa. Flávio desembarcou no domingo (5) na capital americana. Na terça-feira (7), ele prestou depoimento ao USTR –o órgão americano que sugeriu um novo tarifaço de 25% contra o Brasil– em que pediu para que os EUA não apliquem as tarifas e que a medida poderia favorecer o presidente Lula.
 

O senador tem insistido que, como o Itamaraty não indicou um representante para falar na sessão do USTR, a gestão Lula está sendo omissa. Por outro lado, o governo diz que a audiência é voltada principalmente ao setor privado, apesar de não ter limitação para que políticos participem.
 

Após o discurso de Flávio, o governo Lula divulgou nota dizendo repudiar o que chamou de intervenção de Flávio e afirmou que, “em vez de rebater as alegações infundadas do governo norte-americano para taxar o Brasil, o senador optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país”.
 

Após a audiência, a assessoria de Flávio afirmou que ele não concederia entrevista a jornalistas. O pré-candidato do PL foi questionado se ele pediu pelo cancelamento ou adiamento das tarifas. Flávio apenas disse que quer o cancelamento do novo tarifaço contra o Brasil.
 

A falta de divulgação, nesta que é a quinta viagem dele para os EUA neste ano, foi criticada até por aliados.
 

O empresário e influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo reclamou do que considerou uma falta de agilidade na publicação de uma nota à imprensa após a fala de Flávio na audiência nos EUA. “Depois a gente perde e não sabe por que a militância é desengajada, por que toma de 7 a 1 na imprensa todos os dias”, disse.
 

Já o youtuber Kim Paim, que tem quase 1 milhão de inscritos no YouTube, criticou integrantes da pré-campanha. “O que as pessoas possuem para divulgar o Flávio? Nada”, afirmou Paim.

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