Pai é preso no Espírito Santo após usar ChatGPT para planejar assassinato do próprio filho de oito anos; confira as mensagens

Um agricultor de 36 anos foi preso de forma preventiva no município de São Gabriel da Palha, no Espírito Santo, sob a acusação de planejar o assassinato de seu filho de 8 anos. De acordo com as investigações da Polícia Civil, o suspeito utilizava a inteligência artificial ChatGPT como uma espécie de diário para traçar as etapas do crime. 

Segundo informações da Polícia Civil do Espírito Santo, a motivação seria financeira: evitar o pagamento de pensão alimentícia à ex-companheira. A captura do investigado ocorreu na última sexta-feira (19), exatamente um dia antes da data em que ele pretendia executar o crime. 

Essa operação foi deflagrada após um alerta emitido pela desenvolvedora da plataforma de inteligência artificial, a OpenAI, ao FBI (a polícia federal americana), que repassou as informações sigilosas às forças de segurança brasileiras.

Veja algumas das mensagens que a empresa revelou para as forças de segurança:

.jpg)Capturas dos pedidos feitos pelo pai para a I.A.

De acordo com as conversas extraídas da plataforma, o agricultor relatou ao sistema de inteligência artificial que tentou contratar um pistoleiro por R$ 50 mil para executar o próprio filho. A transação só não ocorreu porque o criminoso contratado recusou a proposta ao descobrir que a vítima seria uma criança de 8 anos.

Além disso, o histórico de pesquisas do suspeito aponta que ele buscou exaustivamente informações sobre a obtenção de substâncias altamente tóxicas, venenos e os efeitos de diferentes compostos químicos no organismo humano.

As anotações na plataforma também revelaram traços de comportamento hostil generalizado e inclinação à violência. Em um dos trechos, o investigado escreveu ao robô virtual: “Essa semana pensei em pegar a arma e matar uns dois policiais perto do batalhão”. Em outra mensagem, completou: “Queria saber de onde vem essa vontade de matar as pessoas. Eu gosto de ver outra pessoa sofrer”.

Embora tenha admitido ser o autor das pesquisas, o agricultor negou aos policiais que tivesse intenção de matar o filho. Para o titular da Delegacia de Crimes Cibernéticos, delegado Breno Andrade, ao portal G1, no entanto, as provas técnicas serão determinantes.

“Ele confessou as pesquisas, mas negou a intenção de praticar os atos. O fato de negar para a polícia não faz diferença. O que a delegacia trabalha é a prova técnica, e ela demonstra que ele fez essas pesquisas e tinha essa ideia. Agora vamos comparar esse material com a perícia feita no telefone celular”, diz.

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