Servidor da UFRB é condenado por simular amputação de pé para fraudar R$ 1,5 milhão em seguros

O Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) manteve a condenação de um assistente administrativo da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Vanderley dos Santos Gomes é acusado de estelionato por simular a perda de um membro para fraudar seguradoras.

Segundo o Ministério Público do Estado (MP-BA), autor da denúncia, o servidor teria planejado a amputação do próprio pé direito com o objetivo de receber indenizações que somavam R$ 1,5 milhão. Na versão que deu à polícia, o acusado contou que na madrugada do dia 10 de agosto de 2019 teve o pé amputado em uma estrada vicinal no Povoado de Mercês, zona rural de São Gonçalo dos Campos
, no Portal do Sertão.

O fato teria ocorrido após ter sido vítima de um sequestro e assalto depois de sair de uma unidade de saúde em Cruz das Almas
, no Recôncavo. Ainda no depoimento, Vanderley afirmou que criminosos armados o forçaram a entrar em um veículo, roubaram pertences como celular e relógio, e utilizaram um facão para decepar o pé direito dele. Depois, teriam o abandonado em um matagal.

INCONSISTÊNCIAS
A condenação se baseou em uma série de evidências que contestavam a versão de assalto. Segundo o MP-BA, apenas seis semanas antes do ocorrido, o réu firmou de quatro a seis contratos de seguro de vida e acidentes pessoais com diversas seguradoras, incluindo Allianz, Zurich, Tokio Marine e Sompo.

Outro ponto é que o valor das prestações mensais dos seguros era desproporcional ao salário bruto do servidor na UFRB, que era de aproximadamente R$ 3,6 mil. A perícia também apontou que a mochila do réu foi encontrada intacta, próxima ao local onde o pé foi localizado, o que enfraqueceu a tese de roubo violento.

Ainda segundo o MP, durante o interrogatório judicial, o réu demonstrou “estranho esquecimento” sobre detalhes básicos, como as características dos agressores e até o instrumento exato usado na amputação.

O magistrado de primeiro grau concluiu que o réu agiu com dolo específico, premeditando a lesão corporal para induzir as seguradoras a erro. Vanderley foi condenado a dois anos de reclusão em regime inicialmente aberto.

Pela ausência de violência ou grave ameaça contra terceiros, a pena privativa de liberdade foi substituída por duas penas restritivas de direitos, como prestação de serviços à comunidade e pagamento de prestação pecuniária no valor de cinco salários-mínimos.

O caso chegou ao trânsito em julgado, ou seja, não há mais condição de recursos pela defesa.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Design sem nome (55) (1)

Notícias relevantes

Polícia apreende 118 kg de cocaína em carro de luxo em Guarulhos, na Grande São ...
Carne de paca servida a Lula na Páscoa causa polêmica nas redes, vira meme e Jan...
STF derruba idade mínima para aposentadoria especial de trabalhadores expostos a...
Ala de tribunal militar deve rever provas do STF para manter patente de condenad...
Ministros do TSE avaliam pedir vista em julgamento sobre suspensão de pesquisa d...
Dnit declara emergência em trecho da BR
Homem é preso em Salvador acusado de matar casal em Santo Antônio de Jesus
No Elas em Cena, Larissa Mello revela convites de Solange e Riquelme após entrav...
Carregando mais...