Opinião: Via Crucis de Geraldo Jr. chega ao fim com vitória para MDB e Wagner, e com Jerônimo evitando empoderar Rui

A celeuma de Geraldo Jr. e do MDB chegou ao fim, tal qual a Via Crucis de Cristo na Sexta-feira da Paixão. Em um evento ligado à Igreja Universal, braço religioso do partido Republicanos, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) encerrou as crescentes especulações sobre a substituição de Geraldinho. Uma vitória dos emedebistas e do grupo do senador Jaques Wagner, que sustentava a manutenção do atual vice-governador no posto.

Apesar das contendas, a definição de Geraldo Jr. evita mais fragmentações numa base que já tinha sofrido a traumática cisão do senador Angelo Coronel (há quem diga que foi tudo simples e natural, mas na política não há rompimento sem fraturas). O MDB bancou a permanência do vice, frente a negociações abertas pelo próprio Jerônimo nas tentativas de aplacar a pressão do agora ex-ministro Rui Costa (PT), que tentava minar Geraldo Jr. para ter mais controle sobre o processo eleitoral.

Ainda que tenha sido salvo da crucificação, não dá pra dizer que Geraldinho tenha saído maior da fritura imposta a ele. O silêncio, todavia, fez o vice se preservar diante dos reiterados esforços do fogo amigo em desprestigiá-lo, humilhá-lo e fazê-lo arder frente a ataques indiretos e recados – parte deles repassados somente pela imprensa. Diferente de 2022, quando chegou grande para compor a chapa, agora Geraldo Jr. passará por uma reafirmação contínua de que mereceu permanecer como vice – frisando, inclusive, que não lhe faltou lealdade até quando foi colocado à prova publicamente.

O alerta dado pelo experiente Mário Kértesz, de que a chapa governista se preparava para perder, pareceu ter dado a última chacoalhada necessária no grupo do PT. Wagner provou, mais uma vez, a força que possui e engoliu Rui logo após ele deixar o cargo todo poderoso de ministro da Casa Civil. O timming do anúncio coincide com a saída dele do cargo e consequente presença mais constante na Bahia até a eleição. Jerônimo “acordou” a tempo de evitar que seu antecessor poderia deixar a condição de aliado para se tornar um carma. E também a tempo de empoderar o único que, nos bastidores, nunca teria deixado de trabalhar para que o governador desistisse da reeleição para um “retorno triunfal” do ex que nunca quis deixar de ser.

Agora, com a maior parte dos times já conhecida, cabe aos políticos arregaçarem as mangas para a campanha. À imprensa e aos cidadãos, resta assistir o que promete ser o processo mais acirrado das últimas décadas nas eleições da Bahia.

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